Yvan Colonna, nacionalista córsego foi condenado à prisão perpétua, pelos crimes de homicídio do Prefet Erignac (équivalente de um Governador Civil em Portugal, mas com mais poderes), et pelo ataque de uma gendarmerie à mão armada, na Córsega.
Os 6 juizes (neste caso, não houve jurados) condenaram-no baseando-se nas suas "intime conviction", sendo essa construida na observação e avaliação dos indices (provas materiais).
Tudo bem, as minhas aulas de Droit Penal voltaram à memória. No entanto, após um mês de processo, de produção de prova, de alegações de uns e d'outros, de incidentes processuais, não estou convencida da co-autoria de Colonna no homicídio.
No decurso deste mês, a minha "intime conviction" foi alterando-se. Pior, no início partia com ideias e parcialidades (preconceitos?) em relação a Colonna: odeio nacionalistas de qualquer bordo, acho que a humanidade não se pode reduzir a tão pouco, e tão baixo; mais ainda: considero a Córsega como legitimamente francesa, mesmo se teriamos as vantagens todas (sociais economicas) na independência da mesma. Mas mesmo assim, no decurso de um mês de processo, considero agora Colonna inocente.
E mais do que tudo, penso que os juizes, em 5 horas de deliberações estavam com dúvidas, e neste caso, esqueceram-se de um principio fundamental: o tel de in dubio pro reo... E nisso, seja por que razão for, tenho a intime conviction que se fizeram de esquecidos.